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Beato Papa João Paulo II (em latim: Ioannes Paulus PP. II, em italiano: Giovanni Paolo II, em polaco: Jan Paweł II, nascido Karol Józef Wojtyła, 18 de Maio de 1920 – 2 de Abril de 2005) foi o papa e líder mundial da Igreja Católica Apostólica Romana e Soberano da Cidade do Vaticano de 16 de Outubro de 1978 até a sua morte. Teve o terceiro maior pontificado documentado da história; depois dos papas São Pedro, que reinou trinta e quatro anos, e Papa Pio IX, que reinou por trinta e um anos. Foi o único Papa eslavo e polaco até a sua morte, e o primeiro Papa não-italiano desde o holandês Papa Adriano VI em 1522.[1]

João Paulo II foi aclamado como um dos líderes mais influentes do século XX.[2] Teve um papel fundamental para o fim do comunismo na Polónia e talvez em toda a Europa[3][4][5][6], bem como significante na melhora das relações da Igreja Católica com o judaísmo,[7] Islã,[8][9] Igreja Ortodoxa, e a Comunhão Anglicana.[10] Apesar de ter sido criticado[11] por sua oposição à contracepção e a ordenação de mulheres, bem como o apoio ao Concílio Vaticano II e sua reforma das missas,[12][13] também foi elogiado.[1][14]

Foi um dos líderes que mais viajaram na história, tendo visitado 129 países durante o seu pontificado.[5] Sabia se expressar nos seguintes idiomas: italiano, francês, alemão, inglês, espanhol, português, ucraniano, russo, servo-croata, esperanto, grego clássico e latim, além do polaco, sua língua nativa.[15] Como parte de sua ênfase especial na vocação universal à santidade, beatificou 1340 pessoas e canonizou 483 santos,[16][17] quantidade maior que todos os seus predecessores juntos pelos cinco séculos passados.[18][19][20][21] Em 2 de abril de 2005, faleceu devido a sua saúde débil e o agravamento da doença de Parkinson. Em 19 de Dezembro de 2009 João Paulo II foi proclamado "Venerável" pelo seu sucessor papal, o Papa Bento XVI[22][23][24][25]. Foi proclamado Beato em 1 de Maio de 2011 pelo Papa Bento XVI na Praça de São Pedro no Vaticano.[26]

História pessoal

Karol Józef Wojtyła ( pronunciação polaca ajuda · ficheiro · ouvir) nasceu em Wadowice,[1][12][27][28] uma pequena localidade ao sul da Polónia, a 50 quilómetros de Cracóvia;[27] o mais novo dos três filhos de Karol Wojtyła, um polonês[29] e de Emilia Kaczorowska, que é descrita como tendo ascendência lituana[29] e, possivelmente, ucraniana.[30][31] Emília morreu em 13 de abril de 1929,[32] quando Karol tinha apenas 8 anos de idade.[33] Sua irmã mais velha, Olga, já tinha morrido antes de seu nascimento, e ele ficou muito próximo de seu irmão Edmund, que era 14 anos mais velho e era chamado de Mundek. O seu trabalho como médico eventualmente o levaria à morte por escarlatina, o que deixou Karol muito abalado.[29][33]

Ainda garoto, Karol demonstrou interesse pelos esportes, geralmente jogando futebol na posição de goleiro.[34][35] Durante a sua adolescência, ele travou contato com a grande comunidade judaica de Wadowice e os jogos de futebol eram disputados entre os times de judeus e católicos, com Wojtyła muitas vezes jogando ao lado dos judeus.[29][34]

Em meados de 1938, Karol e seu pai deixaram Wadowice e se mudaram para Cracóvia, onde ele se matriculou na Universidade Jaguelônica. Enquanto ele se dedicava ao estudo de tópicos como filologia e diversas línguas na universidade, Karol também se prontificou como voluntário na biblioteca, além de ter sido obrigado a participar no alistamento obrigatório, servindo na chamada "Legião Acadêmica". Contudo, ele se recusou a atirar. Ele ainda participou de diversos grupos teatrais, atuando principalmente como dramaturgo.[36] Foi nesta época que o seu talento para as línguas floresceu e ele aprendeu 12 línguas diferentes, nove das quais ele usaria extensivamente no futuro como papa.[12]

Em 1939, as forças de ocupação da Alemanha Nazista fecharam a Universidade Jaguelônica após a invasão da Polônia no início da Segunda Guerra Mundial.[12] Todos os homens capazes foram obrigados a trabalhar e assim, de 1940 até 1944, Karol trabalhou em empregos tão diversos como mensageiro para um restaurante, operário numa mina de calcário e para a indústria química Solvay, tudo isso para evitar ser deportado para a Alemanha.[28][36] Seu pai, um suboficial no Exército da Polônia, morreu de ataque cardíaco em 1941, deixando Karol como o último sobrevivente de seu grupo familiar imediato.[29][32][37] "Eu não estive presente na morte de minha mãe, nem na do meu irmão e nem na do meu pai", ele disse, refletindo sobre esta época de sua vida, quase quarenta anos depois, "Aos vinte, eu já tinha perdido todos os que amava".[37]

Após a morte de seu pai, ele começou a considerar seriamente a ideia do sacerdócio.[38] Em outubro de 1942, ele bateu às portas do palácio arcebispal de Cracóvia e pediu para estudar.[38] Logo em seguida ele começou a ter aulas no seminário clandestino comandado pelo arcebispo de Cracóvia, Adam Stefan Sapieha.[39]

Em 29 de fevereiro de 1944, Karol foi atropelado por um caminhão nazista. O oficial alemão da Wehrmacht cuidou dele o enviou para um hospital, onde Karol passou duas semanas se recuperando de uma concussão séria e um ferimento nos ombros. Para ele, o acidente e a sua sobrevivência foram a confirmação de sua vocação. Em 6 de agosto de 1944, o chamado "Domingo Negro",[40] a Gestapo juntou os homens de Cracóvia para evitar uma rebelião similar[40] à anterior, ocorrida em Varsóvia.[41][42] Karol escapou se escondendo no porão da casa de um tio na rua Tyniecka, número 10, enquanto as tropas alemãs vasculhavam os andares superiores.[38][41][42] Mais de oito mil homens e rapazes foram levados presos naquele dia, mas Karol conseguiu depois escapar para o palácio do arcebispo,[38][40][41] onde ele permaneceria até a retirada dos alemães.[29][38][43]

Na noite de 17 de janeiro de 1945, os alemães fugiram da cidade e os estudantes puderam retomar o então arruinado seminário. Karol e outros seminaristas ofereceram-se para limpar pilhas de imundíces congeladas que se acumularam nas latrinas.[44] Karol também ajudou uma garota judia de 14 anos chamada Edith Zierer,[45] que tinha fugido de um campo de trabalho nazista em Częstochowa.[45] Edith havia desmaiado na plataforma de trens e Karol a carregou e ficou com ela durante toda a viagem até a Cracóvia.[46] Ela afirma que Karol salvou-lhe a vida naquele dia.[47][48][49] A organização judaica B'nai B'rith afirma que Karol ajudou a proteger muitos outros judeus poloneses dos nazistas, além de ter priorizado a amizade com os judeus.[50]

Após a guerra, enquanto vivia na Cracóvia, Karol envolveu-se em uma perseguição de motocicletas em alta velocidade, escapando por pouco da polícia polonesa.[51]

Sacerdócio

Ao terminar os estudos no seminário de Cracóvia, Karol foi ordenado padre em 1 de novembro de 1946, Dia de Todos os Santos,[32] pelo seu protetor, o arcebispo de Cracóvia Adam Sapieha.[28][52][53] Ele então foi estudar Teologia em Roma, na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino,[52][53] onde ele conseguiu a sua licenciatura e, posteriormente, o doutorado em Teologia[12] (o primeiro), com a tese A Doutrina da Fé segundo São João da Cruz.[54]

Ele retornou para a Polônia no verão de 1948 com sua primeira tarefa pastoral na vila de Niegowić, a 24 quilômetros de Cracóvia. Chegou à vila na época da colheita e a sua primeira ação foi se ajoelhar e beijar o chão.[55] Este gesto, que ele adaptou do santo francês Jean Marie Baptiste Vianney.[55] tornar-se-ia sua "marca registrada" durante o seu papado.[56]

Em março de 1949, Karol foi transferido para a paróquia de São Floriano, na Cracóvia. Ele lecionou Ética na Universidade Jaguelônica e, posteriormente, Universidade Católica de Lublin (hoje rebatizada em sua homenagem). Enquanto lecionava, juntou um grupo de aproximadamente 20 jovens à sua volta que passaram a se chamar de Rodzinka, a "pequena família". Eles se encontravam para rezar, para discutir filosofia e para ajudar os cegos e os doentes. O grupo eventualmente cresceria até ter aproximadamente 200 pessoas e suas atividades se expandiram para incluir viagens anuais para esquiar e para andar de caiaque.[16]

Em 1954, Karol obteve o seu segundo doutorado, em Filosofia,[57] com uma tese avaliando a viabilidade de uma ética católica baseada no sistema ético do fenomenologista Max Scheler. Porém, a intervenção das autoridades comunistas impediu que ele recebesse o grau até 1957.[53]

Durante este período, Wojtyła escreveu uma série de artigos no jornal católico da Cracóvia, Tygodnik Powszechny ("Semanal Universal"), que tratava com os assuntos importantes na época para a Igreja.[58] Ele se focou em criar uma obra literária original durante os primeiros doze anos do sacerdócio. A guerra, a vida sob o comunismo e suas responsabilidades pastorais foram inspiração para as suas peças e sua poesia. Karol publicou trabalhos se utilizando de dois pseudônimos - Andrzej Jawień e Stanisław Andrzej Gruda[36][58][59] - para distinguir sua literatura de suas obras religiosas (que eram publicadas sob seu nome) e também para que elas fossem consideradas por seus próprios méritos.[36][58][59] Em 1960, Karol publicou o influente livro teológico Love and Responsibility ("Amor e Responsabilidade"), uma defesa dos ensinamentos tradicionais da Igreja sobre o casamento a partir de um ponto de vista filosófico novo.[36][60]

Bispo e cardeal

Em 4 de julho de 1958,[53] enquanto Karol estava em férias, andando de caiaque nos lagos da região norte da Polônia, o papa Pio XII o elevou à posição de bispo-auxiliar de Cracóvia. Ele foi então convocado a Varsóvia para se encontrar com o primaz da Polônia, o cardeal Wyszyński, que o informou de sua nova função.[61][62] Ele concordou em servir como bispo auxiliar junto ao arcebispo Eugeniusz Baziak e ele foi ordenado ao episcopado (como bispo titular de Ombi) em 28 de setembro de 1958. O arcebispo Baziak foi o principal consagrador. Os então bispos auxiliares Boleslaw Kominek (futuro cardeal-arcebispo de Wroclaw) e Franciszek Jop (futuro bispo de Opole) foram os principais co-consagradores.[53] Com a idade de 38 anos, Karol se tornara o mais jovem bispo da Polônia. O arcebispo Bakiak viria a morrer em junho de 1962 e, em 16 de julho, Karol Wojtyła foi escolhido como vigário capitular (administrador temporário) da arquidiocese até que um novo arcebispo pudesse ser escolhido.[12][28]

Em outubro de 1962, Karol participou do Concílio Vaticano II (1962-1965),[1][12][28][53] no qual ele contribuiu com dois dos mais importantes e históricos resultados do concílio, o "Decreto sobre a Liberdade Religiosa" (em latim: Dignitatis Humanae) e a "Constituição Pastoral da Igreja no Mundo Moderno" (Gaudium et Spes).[53]

Ele também participou de todas as reniões do Sínodo dos Bispos.[12][28] Em 13 de janeiro de 1964, o papa Paulo VI o elevou a arcebispo da Cracóvia.[63] Em 26 de junho de 1967, Paulo VI anunciou a promoção do arcebispo Karol Wojtyła ao Colégio de Cardeais.[1][53][63] Wojtyła foi nomeado cardeal-padre do titulus de San Cesareo in Palatio.[64]

Em 1967, ele foi importante na formulação da encíclica Humanae Vitae, que trata das mesmas questões que impedem o aborto e o controle de natalidade.[1][11][53][65] Em 1970, de acordo com uma testemunha contemporânea, o cardeal Wojtyła foi contra a distribuição de uma carta nas redondezas de Cracóvia afirmando que o episcopado polonês estava se preparando para comemorar os cinquenta anos da Guerra Soviético-Polonesa (lembrando que a Polônia estava então sob jugo soviético).[66]

Eleição para o papado

O recém-eleito Papa João Paulo II na varanda.

Em agosto de 1978, após a morte de papa Paulo VI, o Cardeal Wojtyła votou no conclave papal que elegeu papa João Paulo I, que aos 65 anos foi considerado jovem pelos padrões papais. João Paulo I morreu após somente 33 dias como Papa, precipitando assim um outro conclave.[28][53][67]

O segundo conclave de 1978 começou em 14 de outubro, dez dias após o funeral do papa João Paulo I. Foi dividido entre dois fortes candidatos ao papado: Cardeal Giuseppe Siri, o conservador Arcebispo de Gênova, e o liberal Arcebispo de Florença, Cardeal Giovanni Benelli, um colaborador próximo de João Paulo I.[67]

Os defensores da Benelli estavam confiantes de que ele seria eleito, e no início da votação, Benelli estava com nove votos.[67] Entretanto, a magnitude da oposição a ambos significava que possivelmente nenhum deles receberia os votos necessários para ser eleito, e o Cardeal Franz König, Arcebispo de Viena, individualmente sugeriu a seus colegas eleitores um candidato de compromisso: o Cardeal polonês, Karol Józef Wojtyła.[67] finalmente ganhou a eleição na oitava votação no segundo dia, de acordo com a imprensa italiana, com 99 votos dos 111 eleitores participantes. Em seguida, ele escolheu o nome de João Paulo II[53][67] em homenagem ao seu antecessor, e a tradicional fumaça branca informou a multidão reunida na Praça de São Pedro, que um papa havia sido escolhido.[68] Ele aceitou sua eleição com essas palavras: ‘Com obediência na fé em Cristo, meu Senhor, e com confiança na Mãe de Cristo e da Igreja, apesar das grandes dificuldades, eu aceito.’[69][70] Quando o novo pontífice apareceu na varanda, ele quebrou a tradição, dizendo a multidão reunida:[69]

“ Queridos irmãos e irmãs, todos estamos ainda tristes com a morte do querido papa João Paulo I. E agora os eminentíssimos Cardeais chamaram um novo Bispo de Roma. Chamaram-no de um país distante… Distante, mas sempre muito próximo pela comunhão na fé e na tradição cristã. Tive medo ao receber esta nomeação, mas o fiz com espírito de obediência a Nosso Senhor e com a confiança total na sua Mãe, a Virgem Santíssima. Não sei se posso expressar-me bem na vossa... na nossa língua italiana. Se eu cometer um erro, por favor ‘korrijam’ [sic] me...[4][69] ”

Wojtyła tornou-se o 264 º papa de acordo com a ordem cronológica lista dos Papas e o primeiro papa não-italiano em 455 anos.[71] Com apenas 58 anos de idade, ele foi o mais jovem papa eleito desde Pio IX em 1846, que tinha 54 anos.[53] Assim como seu antecessor imediato, João Paulo II dispensou a traditional coroação papal e, em vez disso, recebeu a investidura eclesiástica que simplificou a cerimônia de posse papal, em 23 de outubro de 1978. Durante a sua posse, quando os cardeais estavam a ajoelhar-se diante dele para tomar seus votos e beijar o Anel do Pescador, ele levantou-se quando o prelado polonês, Cardeal Stefan Wyszyński, ajoelhou-se, interrompeu-o e simplesmente deu-lhe um abraço.[72]

Brasão e lema

Brasão pontifício de João Paulo II.

O brasão de João Paulo II foi criado por Bruno Bernard Heim.[73]

  • Descrição: Escudo eclesiástico. Campo de azul, com uma cruz latina de jalde adestrada acompanhada de uma letra "M" do mesmo, no cantão dextro da ponta.[74] O escudo está assente em tarja branca. O conjunto pousado sobre duas chaves "decussadas", a primeira de jalde e a segunda de argente,[74] atadas por um cordão de goles, com os seus pingentes. Timbre: a tiara papal de argente com três coroas de jalde. Sob o escudo, um listel de blau com o mote: "TOTVS TVVS", em letras de jalde. Quando são postos suportes, estes são dois anjos de carnação, sustentando cada um, na mão livre, uma cruz trevolada tripla, de jalde.[74]
  • Interpretação: O escudo obedece às regras heráldicas para os eclesiásticos. O campo de blau representa o firmamento celeste e ainda o manto de Nossa Senhora, sendo que este esmalte significa: justiça, serenidade, fortaleza, boa fama e nobreza. A cruz é o instrumento da salvação de todos os homens e representa Jesus Cristo e, sendo de jalde (ouro), simboliza: nobreza, autoridade, premência, generosidade, ardor e descortínio. A letra "M" representa a Virgem Maria,[75] que segundo a doutrina católica seria a principal intercessora do gênero humano, e esteve todo o tempo junto à cruz de seu Filho (Jo 19,25),[76] sendo de jalde (ouro), tem o significado já descrito deste metal. Os elementos externos do brasão expressam a jurisdição suprema do papa. As duas chaves "decussadas", uma de jalde (ouro) e a outra de argente (prata)[74] são símbolos de suposto poder espiritual e poder temporal. E são uma referência do poder máximo do Sucessor de Pedro, relatado no Evangelho de São Mateus, que narra que Jesus Cristo disse a Pedro: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no céu" (Mt 16, 19). Por conseguinte, as chaves são o símbolo típico do poder supostamente dado por Cristo a São Pedro e aos seus sucessores.[77] Quanto a tiara papal usada como timbre, no entanto não há certeza sobre o que as três coroas da Tiara tripla simbolizam, como é evidente, há uma multiplicidade de interpretações que têm sido propostas. Alguns a vinculam à autoridade tripla do papa como "Pastor Universal (tiara superior), Competência Eclesiástica Universal (tiara do centro) e o Poder Temporal (tiara inferior)".[78] No listel o lema "TOTVS TVVS", é uma expressão da imensa confiança do papa na Virgem Maria: "Sou todo teu, Maria", sendo que ele colocou toda a sua vida sacerdotal sob a proteção da Virgem.[75][79]

Pontificado

João Paulo II em visita ao Parlamento Polaco a 11 de Junho de 1999.

Com mais de 26 anos, é o terceiro pontificado mais longo da História da Igreja Católica. Alguns números que se destacam são o de viagens pastorais fora da Itália (mais de 100, visitando 129 países e mais de 1000 localidades), cerimónias de beatificação (147) e canonizações (51), nas quais foram proclamados 1338 beatos e 482 santos. É considerado pelo seu carisma e habilidade para lidar com os meios de comunicação social, o Papa mais popular da História.

A primeira metade do seu pontificado ficou marcada pela luta contra o comunismo na Polónia e restantes países da Europa de Leste e do mundo. Muitos polacos consideram que o marco inicial da derrocada comunista foi o discurso de João Paulo II em 2 de Junho de 1979, quando falou a meio milhão de compatriotas em Varsóvia e destacou o trabalho do Solidariedade. "Sem o discurso de Wojtyla, o cenário teria sido diferente. O Solidariedade e o povo não teriam se sentido fortes e unidos para levar a luta adiante", acredita o escritor e jornalista Mieczylaw Czuma. "Foi o papa que nos disse para não ter medo." Dez anos depois, as eleições de 4 de Junho de 1989 foram uma "revolução sem sangue" e encorajaram outros países do bloco comunista a se liberar de Moscovo. A data tornou-se simbólica da fim do socialismo real. O movimento sindical Solidariedade, liderado por Lech Walesa, obteve a vitória nas primeiras eleições parcialmente livres de todo o bloco comunista.[80]

João Paulo II criticou fortemente a aproximação da Igreja com o marxismo nos países em desenvolvimento, e em especial a Teologia da Libertação.[81]

"Não é possível compreender o homem a partir de uma visão económica unilateral, e nem mesmo poderá ser definido de acordo com a divisão de classes.", disse aos bispos brasileiros em 26 de Novembro de 2002.[82] Durante a sua visita a Cuba, em Janeiro de 1998, que marcou o fim de 39 anos de relações tensas entre a Igreja Católica e o regime de Fidel Castro, condenou o embargo económico dos E.U.A. ao país. Em 2003, por intermédio do cardeal Angelo Sodano, enviou uma carta ao presidente Fidel Castro criticando "as duras penas impostas a numerosos cidadãos cubanos e, também as condenações à pena capital".[83] Condenou também o terrorismo e o ataque ao World Trade Center ocorrido em 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos da América.[84]

Em relação ao Concílio Vaticano II, no qual João Paulo II participou, ele tentou activamente continuar as reformas e as ideias saídas deste Concílio, nomeadamente sobre o ecumenismo e sobre a abertura da Igreja ao mundo moderno. O Cónego João Seabra afirmou que João Paulo II "é um homem do Concílio, na sua doutrina, na sua concepção do mundo, na sua pastoral. O seu modelo de Igreja é da Lumen Gentium, a sua liturgia é da Sacrosanctum Concilium, a sua pastoral social é da Gaudium et Spes, João Paulo II é o Concílio em Marcha. Nesse sentido o concílio, na maneira como foi lido e aplicado pelo grande Papa João Paulo II, teve uma grande importância na queda do comunismo".[85]

Diálogo inter-religioso

O papa João Paulo II viajou extensivamente e se encontrou com fiéis das mais mais diferentes crenças. Ele constantemente tentou encontrar afinidades, doutrinárias e dogmáticas. No Dia da Oração realizado em Assis em 27 de outubro de 1986, mais de 120 representantes de diferentes religiões e denominações cristãs passaram o dia em jejum e oração em honra ao seu(s) Deus(es).[86]

Anglicanismo

O Papa João Paulo II tinha boas relações com a Igreja da Inglaterra, chamada por seu predecessor, Paulo VI, como "nossa amada Igreja Irmã".[87] Ele discursou na Catedral de Cantuária durante a sua visita à Grã Bretanha,[88] e recebeu o Arcebispo de Cantuária de forma amistosa e cortês.[88] Porém, ele se desapontou com decisão da Igreja da Inglaterra, de oferecer o sacramento das Ordens Sagradas às mulheres, e viu nisto um passo contra a reunião entre a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica.[87]

João Paulo II fez históricos esforços ecumênicos com a Comunhão Anglicana, e apoiou o estabelecimento da Igreja Católica de Nossa Senhora da Expiação (Uso Anglicano), em cooperação com o Arcebispo Patrick Flores de San Antonio, Texas, nos Estados Unidos.[89]

Em 1980, João Paulo II emitiu uma Provisão Pastoral, permitindo que padres anglicanos convertidos casados, se tornassem sacerdotes católicos e que as antigas paróquias episcopais fossem aceitas na Igreja Católica. Ele permitiu a criação do uso anglicano no rito latino, que incorpora o Livro de Oração Comum anglicano.[89]

Luteranismo

Em 15-19 de novembro de 1980, João Paulo II visitou a Alemanha Ocidental,[90] em sua primeira visita a um país com uma grande população luterana. Em Mainz, ele se encontrou com líderes luteranos e de outras denominações protestantes, além de outras denominações cristãs.

Em 11 de dezembro de 1983, ele participou de um serviço ecumênico na Igreja Evangélica Luterana em Roma.[91]

Em sua peregrinação apostólica à Noruega, Finlândia, Dinamarca e Suécia entre 1 e 10 de junho de 1989,[92] João Paulo II se tornou o primeiro papa a visitar países majoritariamente luteranos. Além de celebrar missas com fiéis católicos, ele participou de serviços ecumênicos em lugares que haviam sido igrejas católicas antes da reforma luterana, no século XVI, como a Catedral de Nidaros, na Noruega, próximo da Igreja de Santo Olavo, em Thingvellir, na Islândia, a Catedral de Turku na Finlândia, a Catedral de Roskilde, na Dinamarca e a Catedral de Uppsala, na Suécia.[93]

Em 31 de outubro de 1999 (o 482º aniversário do Dia da Reforma, o dia em que Lutero pregou as 95 teses), representantes do Vaticano e da Lutheran World Federation (LWF) assinaram a Declaração Conjunta Sobre a Doutrina da Justificação como um gesto de unidade. A assinatura foi fruto do diálogo teológico que vinha ocorrendo entre a LWF e o Vaticano desde 195.[94]

Judaísmo

As relações entre o catolicismo e o judaísmo melhoraram durante o pontificado de João Paulo II[11][95] Ele falou com frequência sobre a relação da Igreja com os judeus.[11]

Em 1979, João Paulo II se tornou o primeiro papa a visitar o campo de concentração Auschwitz, na Polônia, onde muitos de seus compatriotas (majoritariamente judeus poloneses) haviam perecido durante a ocupação nazista da Polônia na Segunda Guerra Mundial. Em 1998, o papa publicou "Nós Lembramos: Uma Reflexão sobre a Shoah", que delineou seu pensamento sobre o Holocausto.[96] Ele se tornou o primeiro papa a fazer uma visita papal oficial a uma sinagoga,[97] quando ele visitou a Grande Sinagoga de Roma em 13 de abril de 1986.[7][98][99]

Em 1994, João Paulo II estabeleceu relações diplomáticas formais entre a Santa Sé e o Estado de Israel, reconhecendo sua importância central na vida e fé judaicas.[7][100] Em honra a este evento, o papa João Paulo II patrocinou o "Concerto Papal para Comemoração do Holocausto". Este concerto, que foi concebido e conduzido pelo maestro norte-americano Gilbert Levine, contou com a presença de Elio Toaff, o Rabino principal de Roma, do presidente da Itália e de sobreviventes do Holocausto vindos do mundo inteiro.[101][102]

Em março de 2000, João Paulo II visitou o memorial de Yad Vashem, um monumento nacional israelense em honra às vítimas e heróis do Holocausto, e depois entrou para a história ao tocar um dos mais sagrados objetos de devoção do Judaísmo, o Muro das Lamentações[95], seguindo o costume de colocar uma carta entre as frestas de seus tijolos (na qual ele pediu perdão pelas perseguições contra os judeus)[7][95][103][104]. Em parte do seu discurso, ele disse: "Eu asseguro o povo judeu que a Igreja Católica... está profundamente entristecida pelo ódio, atos de perseguição e mostras de anti-semitismo dirigidas contra os judeus pelos cristãos, à qualquer tempo, em qualquer lugar" e acrescentou que "não há palavras fortes o suficiente para deplorar a terrível tragédia do Holocausto"'[7][95][103][104]. O ministro israelense, rabino Michael Melchior, que foi o anfitrião do papa durante a visita, disse que estava "muito comovido" pelo gesto do papa[95][103]:

“ Foi além da história, além da memória. ”
 
— Rabino Michael Melchior, em 26 de março de 2000, durante a visita de João Paulo II a Israel[103],
“ Nós estamos profundamente entristecidos pelo comportamento dos que, no curso da história, provocaram sofrimento às suas crianças e, ao pedir perdão, desejamos nos comprometer com uma irmandade genuína com o povo da Aliança ”
 
— Papa João Paulo II, em 12 de março de 2000, numa nota deixada no Muro das Lamentações[104][105],

Em outubro de 2003, Liga Anti-Difamação (ADL, da sigla em inglês) emitiu um comunicado congratulando João Paulo II por seu vigésimo-quinto ano de papado[100]. Em janeiro de 2005, João Paulo II se tornou o primeiro papa a receber a benção sacerdotal de um rabino, quando Benjamin Blech, Barry Dov Schwartz e Jack Bemporad visitaram o pontífice no Salão Clementino do Palácio Apostólico.[106]

Imediatamente após a morte de João Paulo II, a ADL emitiu um comunicado afirmando que o papa João Paulo II havia revolucionado as relações entre católicos e judeus e que "mais mudanças para melhor haviam ocorrido em seus vinte e sete anos de papado do que nos quase 2000 anos anteriores"[107]. Em outro comunicado, emitido pelo diretor do conselho para assuntos australianos, israelenses e judaicos de Israel, o dr. Colin Rubenstein, afirmou que "O papa será lembrado por sua inspiradora lembrança espiritual em prol da cusa da liberdade e da humanidade. Ele conseguiu muito mais em termos de transformar as relações tanto com o povo judeu quanto com o Estado de Israel do que qualquer outra figura na história da Igreja Católica"[7].

“ Com o judaísmo, portanto, nós temos uma relação com a qual não temos com qualquer outra religião. Vocês são nossos queridos irmãos e, de certa forma, pode-se dizer que vocês são os nossos irmãos mais velhos ”
 
— papa João Paulo II, em 13 de abril de 1986[108],

Igreja Ortodoxa

Em maio de 1999, João Paulo II visitou a Romênia, a convite do patriarca Teoctist Arăpaşu, da Igreja Ortodoxa Romena. Foi a primeira vez que um papa visitou um país predominantemente ortodoxo desde o Grande Cisma em 1054 d.C.[109] Quando ele chegou, o patriarca e o presidente da Romênia, Emil Constantinescu, receberam o papa.[109] O patriarca depois afirmou: "O segundo milênio da história cristã começou com uma dolorosa chaga na unidade da Igreja; o fim deste milênio assiste agora a um real compromisso de restaurar a unidade cristã.".[109]

João Paulo II visitou outro país fortemente ortodoxo na região, a Ucrânia, entre 23 e 27 de junho de 2001, a convite do presidente da Ucrânia e dos bispos da Igreja Católica Grega da Ucrânica.[110] O papa falou aos líderes do "Concílio Geral das Igrejas e Organizações Religiosas Ucraniano", rogando por "um diálogo aberto, tolerante e honesto"[110]. Por volta de 200 mil pessoas compareceram às cerimônias litúrgicas celebradas pelo papa em Kiev e a liturgia em Lviv juntou quase um milhão e meio de fiéis[110]. João Paulo II afirmou que terminar com o Grande Cisma era um dos seus mais queridos desejos[110]. Por muitos anos, João Paulo II tentou facilitar o diálogo e a unidade, afirmando já em 1988, na encíclica Euntes in Mundum, que a "Europa tem dois pulmões e jamais irá respirar direito enquanto não usar ambos".[111]

Durante as suas viagens de 2001, João Paulo II se tornou o primeiro papa a visitar a Grécia em 1291 anos;[112][113] Em Atenas, o papa se encontrou com Cristódulo de Atenas, o arcebispo líder da Igreja Ortodoxa Grega. Após um encontro privado de 30 minutos, os dois falaram ao público. Cristódulo leu uma lista de "13 ofensas" da Igreja Católica contra a Igreja Ortodoxa desde o Grande Cisma, incluindo o Saque de Constantinopla pelos cruzados (1204), e reclamou pela falta de um pedido de desculpas da Igreja Católica Romana, afirmando "Até agora, não se conhecia um único pedido de perdão" pelos "cruzados maníacos do século XIII"'.[112]

O papa respondeu dizendo "Pelas vezes, passadas e presentes, quando filhos e filhas da Igreja Católica pecaram, por ação ou omissão, contra nossos irmãos e irmãs ortodoxos, que o Senhor nos conceda o perdão"', ao que Cristódulo imediatamente aplaudiu. João Paulo II disse que o saque de Constantinopla era a causa de um "profundo pesar" para os católicos<.. Posteriormente, João Paulo e Cristódulo se encontraram no lugar onde São Paulo um dia pregara para os cristão atenienses. Ali, eles emitiram um "comunicado conjunto", dizendo "Faremos tudo o que estiver em nosso poder para que as raízes cristãs da Europa e a sua alma cristã seja preservada.... Nós condenamos todos os recursos à violência, ao proselitismo e ao fanatismo em nome da religião". Os dois líderes então rezaram o Pai Nosso juntos, quebrando um antigo tabu ortodoxo contra rezar juntamente com católicos[112].

O papa sempre afirmou, por todo o seu pontificado, que um dos seus grandes sonhos era visitar a Rússia, mas isso jamais ocorreu. Ele tentou resolver os problemas que surgiram durante a história entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa Russa, como quando ele determinou a devolução à Igreja Ortodoxa Russa do Ícone de "Nossa Senhora de Kazan", a "Theotokos" e sempre Virgem Maria. No dia 28 de agosto de 2004, a "Solenidade da gloriosíssima Dormição da Theotokos", delegação representativa da Igreja Católica, chefiada pelo Cardeal Walter Kasper, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, entregou o ícone, depois de um solene ofício na Catedral da Dormição, no Kremlim, em Moscovo, em que participaram numerosos fiéis.[114][115][116]

Budismo

O décimo-quarto Dalai Lama, Tenzin Gyatso, visitou o papa João Paulo II oito vezes, mais do que qualquer outro dignatário. Ambos compartilhavam visões similares e compreendiam o sofrimento do outro, ambos vindos de países afetados pelo comunismo e sendo grandes líderes de grandes religiões.[117][118]

Islã

O papa João Paulo II fez consideráveis esforços para melhorar as relações entre o catolicismo e o islamismo.[119]

Em 6 de maio de 2001, o papa João Paulo II se tornou o primeiro papa católico da história a entrar e rezar numa mesquita. Respeitosamente removendo os seus sapatos, ele entrou na Mesquita dos Omíadas, um antiga igreja cristã bizantina dedicada a São João Batista (que, acredita-se, está enterrado lá), em Damasco, na Síria, e ali deu um discurso que incluía a seguinte afirmação: "Por todas as vezes que os cristãos e os muçulmanos se ofenderam entre si, precisamos buscar o perdão do Todo Poderoso e oferecer uns aos outros o perdão"[8][9]. Ele beijou o Corão nesta mesma viagem,[120][121][122] um ato que o tornou popular entre os muçulmanos, mas que perturbou muitos católicos.[121]

Em 2004, João Paulo II patrocinou o "Concerto Papal pela Reconciliação", que reuniu líderes do Islã com líderes da comunidade judaica e da Igreja Católica no Palácio Apostólico, no Vaticano, para um concerto do Coro Filarmônico de Cracóvia, da Polônia, do Coro Filarmônico de Londres, do Reino Unido, da Orquestra Sinfônica de Pittsburgh, dos Estados Unidos, e do Coro Polifônico Estatal de Ancara, da Turquia.[123] [124][125][126] O evento foi concebido e dirigido por Sir Gilbert Levine, OSGM, e foi transmitido para o mundo inteiro.[123][124][125][126]

João Paulo II supervisionou a publicação do Catecismo da Igreja Católica onde faz uma provisão especial para os muçulmanos; onde está escrito, "O plano de salvação também inclui aqueles que reconhecem o Criador, o que inclui os muçulmanos; estes professam ter a fé de Abraão, e junto com nós, eles adoram a um, Deus misericordioso, , juiz dos homens no último dia."[127]

Diálogo com os jovens

A Jornada Mundial da Juventude é um evento temático popular da fé católica internacional voltado para jovens, esse evento foi iniciado pelo Papa João Paulo II.

João Paulo II tinha uma relação especial com a juventude católica e é conhecido por alguns como O Papa para a juventude.[128][129] Antes de seu pontificado, ele participou de acampamentos e caminhadas nas montanhas com os jovens. Ele ainda fez caminhadas na montanha, quando ele foi papa.[128] Ele estava preocupado com a educação dos futuros sacerdotes e desde cedo fez muitas visitas a seminários romanos, incluindo a Venerável Faculdade Inglesa em 1979.[28] Ele criou a Jornada Mundial da Juventude em 1984 com a intenção de aproximar os jovens católicos de todas as partes do mundo a se reunirem para celebrar a fé.[28][128][129] Estes encontros de uma semana da juventude ocorrem a cada dois ou três anos, atraindo centenas de milhares de jovens, que vão para cantar, festejar, passar bons momentos e aprofundar a sua fé.[28][129] A 19ª Jornada Mundial da Juventude celebrado durante o seu pontificado, reuniu milhões de jovens de todo o mundo. Durante este tempo, seus cuidados para com a família foram expressos nos Encontros Mundiais das Famílias, que ele começou em 1994.[28]

“ Os jovens estão ameaçados... pelo mau uso das técnicas de propaganda, que estimulam a inclinação natural deles para evitar o trabalho duro, ao prometer a satisfação imediata de cada desejo.[108] ”

Oração pelas almas dos mortos

Perante cerca de 20 mil pessoas na Basílica de São Pedro, em 2 de Novembro de 1983, disse (no contexto orativo católico) :

"A oração pelas almas dos fiéis defuntos não deve ser interrompida, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo".[130]

Diplomacia

A mediação pontifícia de João Paulo II permitiu que o Chile e a Argentina chegassem a um acordo no conflito sobre os seus limites territoriais na região austral (Canal de Beagle) que ameaçava levar os dois países à guerra. Em 22 de dezembro de 1978 o Papa enviou o cardeal italiano Antonio Samoré ao governo dos dois países como emissário pessoal o que levou a assinatura dos Acordos de Montevidéu, no Palácio Taranco, a 18 de Janeiro de 1979 - através do qual os dois Estados recorreram formalmente à mediação do papa - e à conclusão do dissentimento sobre a Região Austral, com a assinatura do Tratado de Paz e Amizade assinado diante do papa, na Capela Paulina (Vaticano), no dia 29 de novembro de 1984.[131]

Papel na queda do comunismo

O presidente russo Vladimir Putin se encontra com o Papa João Paulo II

João Paulo II foi creditado como sendo fundamental para derrubar o comunismo no Central e no Leste Europeu,[11][4][5][2][3][6][132] por ser a inspiração espiritual por trás de sua queda, e um catalisador para "uma revolução pacífica" na Polônia. Lech WaÅ‚Ä™sa, o fundador do ‘Solidariedade’, credita João Paulo II como dando aos poloneses a coragem de se levantar.[11] De acordo com WaÅ‚Ä™sa, "Antes de seu pontificado, o mundo estava dividido em blocos. Em Warsaw, em 1979, ele simplesmente disse: 'Não tenha medo', e depois orou: 'Deixe o seu Espírito descer alterar a imagem da terra... esta terra'."[132][133]

A correspondência do presidente dos Estados Undos Ronald Reagan com o Papa revela "um contínuo esforço para assegurar o apoio do Vaticano às políticas norte-americanas. Talvez o mais surpreendente, os documentos mostram que, por volta de 1984, o Papa não acreditava que o governo comunista polonês poderia ser mudado."[134]

Em dezembro de 1989, João Paulo II reuniu-se com líder soviético Mikhail Gorbachev no Vaticano e cada um expressou o seu respeito e admiração para com o outro. Gorbachev certa vez disse ‘O colapso da Cortina de Ferro teria sido impossível sem João Paulo II’.[4][2] No funeral de João Paulo II, Mikhail Gorbachev disse: "A devoção do Papa aos seus seguidores é um exemplo notável para todos nós"[6][135]

Em fevereiro de 2004, Papa João Paulo II foi nomeado para o Prêmio Nobel da Paz em homenagem ao trabalho de sua vida na oposição ao comunismo e ajudando a remodelar o mundo.[136]

O presidente George W. Bush presenteou o Papa com a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos EUA, durante uma cerimônia no Vaticano, em 4 de junho de 2004. O presidente leu a citação que acompanhou a medalha, que reconhece o "filho desta Polônia" cujo "apoio aos princípios de paz e liberdade inspirou milhões e ajudou a derrubar o comunismo e a tirania." Depois de receber o prêmio, João Paulo II disse, "Que o desejo de liberdade, paz, um mundo mais humano simbolizado por esta medalha inspire homens e mulheres de boa vontade em todo tempo e lugar."[137]

Em relação a a política mundial, pouco antes de sua morte, a BBC disse, referindo-se a uma frase de Mikhail Gorbachev: "O Papa — disse Gorbachev a sua esposa Raisa— é a autoridade moral mais importante do mundo e é eslavo". O entendimento entre as duas personalidades sem dúvida facilitou o caminho para a democracia no bloco oriental".[138]

Nas palavras do General Wojciech Jaruzelski, último líder na Polônia comunista, a visita de João Paulo II a Polônia em 1979, foi o "detonador" das mudanças.[139] Por ocasião de sua morte, o Presidente do Parlamento Europeu, o socialista Josep Borrell, escreveu: "Me inclino com respeito ante a memória dessa grande personalidade que marcou de forma determinante a historia do último quarto de século. (...) Impunha respeito pela clareza de suas opiniões e pela sinceridade de seus esforços contínuos a favor da justiça, a paz e do respeito da dignidade e dos direitos humanos. Ninguém vai esquecer os gestos de abertura e diálogo dirigidos aos representantes das outras religiões, particularmente durante as reuniões de Assis. A história lembrará do esforço decisivo de João Paulo II na recondução dos Países da Europa Central e Oriental para a democracia e a liberdade. Lembrará, também, sua atividade, muitas vezes discreta, a favor do diálogo entre os povos e os Estados em conflito e pela retomada das negociaciações entre os Países do Oriente Médio".[140] O chanceler alemão, Gerhard Schröder, declarou que o Papa tinha "influenciado a integração pacífica da Europa em muitos aspectos. Por seus esforços e sua personalidade impressionante, mudou o nosso mundo".[141]

Ele também enfatiza seu compromisso com os direitos humanos: "Seu compromisso como Pontífice não era apenas difundir o Evangelho, mas transformar o Papado romano no porta-voz dos direitos humanos" —de acordo com um artigo da CNN, citando Marco Politi, autor do livro His Holiness.[142]

O equilíbrio de sua vida do ponto de vista religioso e pessoal, delineou o então Cardeal Ratzinger -Bento XVI- no funeral de João Paulo II: "'Siga-me', disse o Senhor ressuscitado para Pedro, como sua última palavra a este discípulo escolhido para apascentar o seu rebanho. 'Siga-me', esta palavra de Cristo pode ser considerada a chave para compreender a mensagem que vem da vida do nosso saudoso e amado papa João Paulo II".[143]

“ Varsóvia, Moscovo, Budapeste, Berlim, Praga, Sofia e Bucareste foram etapas duma longa peregrinação em direção à liberdade. É admirável que nestes eventos, povos inteiros falaram – mulheres, jovens, homens, venceram o medo, sua sede irreprimível de liberdade aceleraram os acontecimentos, fez desabar as paredes e abriram os portões. ”

— Papa João Paulo II (1989)[3]

Visitas papais

Durante o seu pontificado, o papa João Paulo II viajou para 129 países[5], contabilizando mais de 1,1 milhões de quilômetros viajados. Ele consistentemente atraía grandes multidões em suas viagens, algumas contando entre as maiores já reunidas na história, como a do Jornada Mundial da Juventude de 1995, em Manila, nas Filipinas, que reuniu cerca de 5 milhões de pessoas.[144] Alguns sugeriram que esta pode ter sido a maior reunião católica da história, porém sem conseguir prová-lo.[145] As primeiras visitas oficiais de João Paulo II foram para a República Dominicana e para o México, em janeiro de 1979, e para a Polônia, em 1979[146], onde multidões o rodearam.[147] Esta primeira visita à Polônia serviu para elevar o espírito da nação e catalisou a formação do Movimento Solidariedade em 1980, que trouxe de volta a liberdade e os direitos humanos para a sua terra natal.[11]

Enquanto que algumas de suas viagens (como a feita aos Estados Unidos e à Terra Santa) foram para lugares previamente visitados por Paulo VI, João Paulo II se tornou o primeiro papa a visitar a Casa Branca em sua viagem de outubro de 1979 aos Estados Unidos, onde ele foi recebido calorosamente pelo presidente Jimmy Carter. Ele viajou para lugares que nenhum outro papa havia jamais visitado antes, sendo o primeiro papa a visitar o México, em janeiro de 1979,[148] e Irlanda, no mesmo ano.[149][150] Ele foi ainda o primeiro papa em exercício a visitar o Reino Unido[88], em 1982, onde ele se encontrou com a rainha Isabel II, Governadora Suprema da Igreja de Inglaterra (a Igreja Anglicana, que se separou da Igreja Católica no reinado de Henrique VIII, mais de 400 anos antes)[88]. Ele visitou o Haiti em 1983, onde ele discursou em crioulo para milhares de empobrecidos fiéis que o esperavam no aeroporto, sua mensagem, "A situação precisa mudar no Haiti", se referindo à disparidade entre os ricos e pobres, foi recebida com um estrondoso aplauso.[151] Em 2000, ele foi o primeiro papa moderno a visitar o Egito,[152] onde ele se encontrou com o papa copta, Shenouda III (da Igreja Ortodoxa Copta de Alexandria, que se separou da Igreja Ortodoxa após o Concílio de Calcedônia, em 451) e o patriarca grego ortodoxo de Alexandria ( da Igreja Ortodoxa Grega de Alexandria, separada da Igreja Católica no Grande Cisma do Oriente, em 1054).[152][153] Ele foi o primeiro papa católico a visitar e rezar numa mesquita islâmica, em Damasco, na Síria, em 2001. Ele visitou a Mesquita dos Omíadas, uma antiga igreja cristã onde se acredita estar enterrado São João Batista (que também é um profeta no Islã), onde fez um discurso pedindo aos cristãos, muçulmanos e judeus que trabalhassem juntos[8][9].

Em março de 2000, enquanto visitava Jerusalém, João Paulo II se tornou o primeiro papa da história a visitar e rezar no Muro das Lamentações.[95][103] Em setembro de 2001, durante os ataques de 11 de setembro, ele viajou ao Cazaquistão, onde foi recebido por uma audiência majoritariamente muçulmana, e para a Armênia, para participar da celebração dos 1700 anos de cristianismo na nação.[154]

 

“ Hoje, pela primeira vez na história, um bispo de Roma pisou em solo inglês. Esta bela terra, que já foi um entreposto distante do mundo pagão, se tornou, através da pregação do Evangelho, uma parte amada e abençoada do vinhedo cristão ”
 
— Papa João Paulo II, em sua visita à Inglaterra em 1982[108],

Viagens pelo mundo do Papa João Paulo II:[146][155]

  • 1979

1. 25 de janeiro–1 de fevereiro
República Dominicana e México
2. 2–10 de junho
Polônia
3. 29 de setembro–7 de outubro
Irlanda e Estados Unidos
4. 28–30 de novembro
Turquia

  • 1980

5. 2–12 de maio
Zaire, República do Congo, Quênia, Gana, República do Alto Volta e Costa do Marfim
6. 30 de maio–2 de junho
França
7. 30 de junho–12 de julho
Brasil
8. 15–19 de novembro
Alemanha Ocidental

  • 1981

9. 16–27 de fevereiro
Filipinas, Guam, e Japão

  • 1982

10. 12–19 de fevereiro
Nigéria, Benim, Gabão, e Guiné Equatorial
11. Maio 12–15
Portugal (incluindo Fátima)
12. 28 de maio–2 de junho
Grã-Bretanha
13. 10–13 de junho
Argentina
14. 15 de junho
Suíça
15. 29 de agosto
San Marino
16. 31 de outubro–9 de novembro
Espanha

  • 1983

17. Março 2–10
Costa Rica, Nicarágua, Panamá, El Salvador, Guatemala, Belize, Honduras e Haiti
18. 16–23 de junho
Polônia
19. 14–15 de agosto
Lourdes (França)
20. 10–13 de setembro
Áustria

  • 1984

21. 2–12 de maio
Coreia do Sul, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tailândia
22. 12–17 de junho
Suíça
23. 9–20 de setembro
Canadá
24. 10–12 de outubro
Espanha, República Dominicana, Porto Rico

  • 1985

25. 26 de janeiro–6 de fevereiro
Venezuela, Equador, Peru, Trinidad e Tobago
26. 11–21 de maio
Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo
27. 8–19 de agosto
Togo, Costa do Marfim, Camarões, República Centro Africana, Zaire, Quênia, Marrocos
28. 8 de setembro
Liechtenstein

  • 1986

29. 1–10 de fevereiro
Índia
30. 1–8 de julho
Colômbia, Santa Lúcia
31. 4–7 de outubro
França
32. 19 de novembro–1 de dezembro
Austrália, Nova Zelândia, Bangladesh, Fiji, Singapura, Seychelles

  • 1987

33. 31 de março–13 de abril
Uruguai, Chile, Argentina
34. 30 de abril–4 de maio
Alemanha Ocidental
35. 8–14 de junho
Polônia
36. 10–20 de setembro
Estados Unidos e Canadá

  • 1988

37. 7–18 de maio
Uruguai, Bolívia, Peru, Paraguai
38. 23–27 de junho
Áustria
39. 10–19 de setembro
Zimbabwe, Botswana, Lesoto, Suazilândia, Moçambique, através da África do Sul
40. 8–11 de outubro
França

  • 1989

41. 28 de abril–6 de maio
Madagascar, Reunião, Zâmbia, e Malawi
42. 1–10 de junho
Noruega, Islândia, Finlândia, Dinamarca, Suécia
43. 19–21 de agosto
Espanha
44. 6–16 de outubro
Coreia do Sul, Indonésia, Timor-Leste, Maurício

  • 1990

45. 25 de janeiro–1 de fevereiro
Cabo Verde, Guiné-Bissau, Mali, Burkina Faso, Chade
46. 21–22 de abril
Checoslováquia
47. 6–13 de maio
México, Curação
48. 25–27 de maio
Malta
49. 1–10 de setembro
Tanzânia, Ruanda, Burundi, Costa do Marfim

  • 1991

50. 10–13 de maio
Portugal
51. 1–9 de junho
Polônia
52. 13–20 de agosto
Polônia, Hungria
53. 12–21 de outubro
Brasil

  • 1992

54. 19–26 de fevereiro
Senegal, Gâmbia, Guiné
55. 4–10 de junho
Angola, São Tomé e Príncipe
56. 9–14 de outubro
República Dominicana

  • 1993

57. 3–10 de fevereiro
Benin, Uganda, Sudão
58. 25 de abril
Albânia
59. 12–17 de junho
Espanha
60. 9–16 de agosto
Jamaica, México, Estados Unidos
61. 4–10 de setembro
Lituânia, Letônia, Estônia

  • 1994

62. 10–11 de setembro
Croácia

  • 1995

63. 12–21 de janeiro
Filipinas, Austrália, Papua-Nova Guiné, Sri Lanka
64. 20–22 de maio
República Checa, Polônia
65. 3–4 de junho
Bélgica
66. 30 de junho
Eslováquia
67. 14–20 de setembro
Camarões, Quênia, África do Sul
68. 4–8 de outubro
Estados Unidos

  • 1996

69. 5–12 de fevereiro
Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Venezuela
70. 14 de abril
Tunísia
71. Maio 17–19
Eslovênia
72. 21–23 de junho
Alemanha
73. 6–7 de setembro
Hungria
74. 19–22 de setembro
França

  • 1997

75. 12–13 de abril
Sarajevo, Bósnia e Herzegovina
76. 25–27 de abril
República Checa
77. 10–11 de maio
Líbano
78. 31 de maio–10 de junho
Polônia
79. 21–24 de agosto
França
80. 2–5 de outubro
Brasil

  • 1998

81. 21–25 de janeiro
Cuba
82. 21–23 de março
Nigéria
83. 19–21 de junho
Áustria
84. 2–4 de outubro
Croácia

  • 1999

85. 22–25 de janeiro
Cidade do México no México
Janeiro 26–27
Saint Louis, Missouri
86. 7–9 de maio
Romênia
87. 5–17 de junho
Polônia
88. 19 de setembro
Eslovênia
89. 5–9 de novembro
Nova Deli (Índia) e Tbilisi (Geórgia)

  • 2000

90. 24–26 de fevereiro
Egito
91. 20–26 de março
Jordânia, Israel e Palestina
92. 12–13 de maio
Fátima em Portugal

  • 2001

93.(a) 4–5 de maio
Atenas em Grécia
93.(b) 5–6 de maio
Síria
93.(c) 8–9 de maio
Malta
94. 23–27 de junho
Ucrânia
95. 22–27 de setembro
Armênia e Cazaquistão

  • 2002

96. 22–26 de maio
Azerbaijão e Bulgária
97. 23 de julho–1 de agosto
Canadá, Guatemala, e México
98. 16–19 de agosto
Polônia

  • 2003

99. 3–4 de maio
Espanha
100. 5–9 de junho
Croácia
101. 22 de junho
Bósnia e Herzegovina
102.Setembro 11-14
Eslováquia

  • 2004

103. 5-6 de junho
Suíça
104. 14-15 de agosto
Lourdes (França)


Mapa indicando os países onde João Paulo II visitou.

Visitas ao Brasil

João Paulo II com o cantor Roberto Carlos a 5 de Outubro de 1997, na sua quarta visita ao Brasil.

O papa João Paulo II esteve no Brasil quatro vezes, sendo três delas oficiais e uma delas, porém, permaneceu apenas no aeroporto, quando ia para a Argentina em 1982, onde fez um rápido discurso durante a escala de seu vôo no Rio de Janeiro.[156] Na primeira, chegou ao meio-dia de 30 de junho de 1980, foi recebido pelo general João Batista Figueiredo,[156] percorreu treze cidades em apenas doze dias, percorrendo um total de 30.000 quilômetros. Durante 12 dias João Paulo II percorreu as cidades de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida do Norte, Porto Alegre, Curitiba, Manaus, Recife, Salvador, Belém, Teresina e Fortaleza.[157] Essa visita foi marcada pela expectativa dos brasileiros em receber pela primeira vez um Papa no país e pela beatificação do jesuíta espanhol José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo. O Papa participou do X Congresso Eucarístico Nacional, realizado entre 30 de junho a 12 de julho 1980, em Fortaleza, no Ceará.[156] Durante a visita, bancos e repartições públicas fecharam, teatros atrasaram os espetáculos e os esquemas rodoviários foram alterados. Essa foi uma das maiores movimentações populares já registradas no Brasil. Em pleno regime militar, defendeu a justiça social, liberdade sindical, reforma agrária, direitos humanos e educação sexual. Mas também condenou a Teologia da Libertação e o aborto.[157] Destacou-se, na primeira visita, a música "A bênção, João de Deus", composta para a ocasião por Péricles de Barros.[158][159]

A outra visita foi entre 12 e 21 de outubro de 1991, sendo recebido em Brasília pelo então presidente Fernando Collor de Mello, visitou a Irmã Dulce, em Salvador,[156] percorreu dez capitais e fez 31 pronunciamentos, beatificou Madre Paulina[160] e na ocasião para um público de 60 mil pessoas, o papa afirmou durante a homilia: "Soube ela converter todas as suas palavras e ações num contínuo ato de louvor a Deus. Sua conformidade com a vontade de Deus levou-a a uma constante renúncia de si mesma, não recusando qualquer sacrifício para cumprir os desígnios divinos". O Papa abordou a questão indígena, a reprovação do uso de anticoncepcionais, o problema da divisão de terras, a família e a condenação do divórcio. A visita também foi marcada pelo fato de um menino de rua de 12 anos, descalço e vestido humildemente, ter ultrapassado barreira de segurança, em Goiânia, e ter se jogado nos braços do Papa, que retribuiu o carinho com um longo abraço.[161]

Esteve também no Brasil entre 2 e 6 de outubro de 1997, foi recebido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.[156] Nessa visita o Papa participou do II Encontro Mundial com as Famílias, realizado na cidade do Rio de Janeiro, ficando por quatro dias na cidade. Em seus discursos, João Paulo II condenou o divórcio, o aborto e os métodos contraceptivos. Ele abençoou o Rio Janeiro aos pés do Cristo Redentor.[156]

Em visita à cidade do Rio de Janeiro declarou: "Se Deus é brasileiro, o papa é carioca".[162]

Nas três visitas oficiais de João Paulo II ao Brasil, tanto o Vaticano como os Correios editaram selos comemorativos para homenagear a passagem do pontífice no país. Ao todo foram impressos oito selos pela Casa da Moeda do Brasil. Um deles em homenagem póstuma, em 2005.[156]

Visitas a Portugal

João Paulo II visitou Portugal 4 vezes: em 1982, 1991 e 2000 foram visitas apostólicas[163] e em 1983 fez escala em Lisboa onde discursou.[164]

A primeira visita, de 12 a 15 de maio de 1982, ocorreu um ano após o atentado de que foi vítima em 13 de Maio de 1981. No primeiro dia de visita, João Paulo II acabou sendo ferido na segunda tentativa de assassinato quando Juan María Fernández y Krohn o tentou esfaquear com uma baioneta, one o papa acabou sendo ferido.[165][166][167] Nessa visita o Papa João Paulo II depositou a bala do atentado sofrido no ano anterior em plena Praça de São Pedro no altar de Nossa Senhora de Fátima. Ainda hoje a mesma bala se encontra na coroa de Nossa Senhora de Fátima no Santuário de Fátima. Em 14 de maio, visitou o Santuário de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, em Vila Viçosa. Na manhã de 15 de maio, visitou o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, em Braga, e, à tarde, viajou de helicóptero até o Porto, onde presidiu uma missa celebrada junto à Câmara Municipal, na Avenida dos Aliados.[168] Para comemorar sua visita o CTT Correios de Portugal lançou uma emissão de selos intitulada “Visita de S.S. o Papa João Paulo II a Portugal de 12 a 15 de Maio de 1982”.[164]

Em 2 de março de 1983 fez uma escala em Lisboa, por volta da meia-noite, em viagem com destino a América Central e na ocasião uma multidão de pessoas o aguardava, sendo que o papa fez uma pequena homília invocando a sua "Fé e Devoção a Nossa Senhora de Fátima".[164]

De 10 a 13 de maio de 1991, esteve nos Açores, na Madeira, Lisboa, e novamente em Fátima.[169][170] Um dos pontos mais altos foi o encontro com os jovens realizado no Estádio do Restelo, em Lisboa, em 10 de maio.[163]

A sua última visita, em que beatificou os pastorinhos de Fátima, Jacinta Marto e Francisco,[164] teve lugar em 12 e 13 de maio de 2000, em Fátima[171] e sobre eles disse o seguinte: "grande era, no pequeno Francisco, o desejo de reparar as ofensas dos pecadores, esforçando-se por ser bom e oferecendo sacrifícios e oração. E Jacinta sua irmã, quase dois anos mais nova que ele, vivia animada pelos mesmos sentimentos".[163] Nesta peregrinação, João Paulo II ofereceu a Nossa Senhora de Fátima o anel com o lema “Totus Tuus” que o cardeal Wiszinski lhe havia ofertado no início do seu pontificado.[172] Também teve a revelação do "Terceiro segredo de Fátima que estava relacionado com o atentado de João Paulo II. Para assinalar esta data os CTT Correios de Portugal fizeram uma emissão de selos intitulada "Visita a Portugal de Sua Santidade o Papa João Paulo II".[164]

Documentos Pontifícios

O Papa no Brasil, em 1997, já com a saúde fraca

Ao todo são 14, as encíclicas escritas por João Paulo II ao longo do seu pontificado e diversos os pronunciamentos sobre todos os campos da atividade humana onde houvesse necessidade de se dar um critério ético ou moral de ação.

Hábitos religiosos

Segundo o livro Why a Saint? publicado em Janeiro de 2010 por Slawomir Oder, monsenhor que cuida do processo de beatificação de João Paulo II, o Papa realizava a prática conhecida no cristianismo como mortificação, ou seja, auto-flagelação, para atingir um grau mais próximo de Deus. Oder diz que no armário do pontífice existia uma cinta utilizada para executar o ato e que também Karol Wojtyla dormia algumas vezes no chão para praticar ascetismo.[173]

Posições sociais e políticas

João Paulo II foi considerado um conservador em doutrina e questões relacionadas com a reprodução e a ordenação de mulheres.[174]

Enquanto o Papa estava visitando os Estados Unidos da América, disse, "Toda a vida humana, desde os momentos de concepção e por todas as fases subsequentes, é sagrada."[175]

Uma série de 129 palestras dadas por João Paulo durante uma quarta-feira de audiências em Roma entre setembro de 1979 e novembro de 1984, foram mais tarde compilados e publicados em uma única obra, intitulada Teologia do Corpo, uma longa meditação sobre a sexualidade humana. O Papa condenou o aborto, eutanásia e praticamente todos os usos da pena de morte,[176] chamando isso de "cultura da morte" que é difundida no mundo moderno. Ele fez campanha para a anulação da dívida mundial e também pela justiça social.[11][174]

Teologia da libertação

Em 1984 e 1986, através do Cardeal Ratzinger, líder da Congregação para a Doutrina da Fé, João Paulo II oficialmente condenou vários aspectos da Teologia da libertação, especialmente proeminente na América do Sul. A tentativa de Óscar Romero, durante a visita de João Paulo II à Europa, de obter uma condenação para o regime de El Salvador, denunciado por violações dos direitos humanos e por sustentar o Esquadrão da Morte, foi um fracasso. Em sua viagem para Managua, Nicaragua em 1983, João Paulo II duramente condenou o que ele apelidou de "Igreja popular"[177] (i.e. "comunidades eclesiais de base" (CEBs) apoiado pelo CELAM), e tendências do clero nicaraguense, para apoiar a esquerda Sandinista, lembrando o clero das suas funções de obediência para com a Santa Sé.[177] Durante essa visita Ernesto Cardenal, um padre e ministro no governo sandinista, ajoelhou-se para beijar a mão do Papa, João Paulo II levantou-o, lhe apontou o dedo, e disse: "Você deve endireitar a sua posição com a Igreja."[178]

Visões sobre a sexualidade

Um estudo de 1997 determinou que 3% das declarações do papa foram sobre a questão da moralidade sexual.[179]

O Papa reafirmou que os ensinamentos existentes da Igreja em relação aos transsexuais, como a Congregação para a Doutrina da Fé, que ele supervisionou, deixando claro que os transexuais não poderiam servir em posições da Igreja.[11][174]

Enquanto que tomou uma posição tradicional sobre a sexualidade, defendendo a oposição moral da Igreja em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, o Papa afirmou que as pessoas com inclinações homossexuais possuem a mesma dignidade e direitos como todos os outros. Em seu último livro, Memória e Identidade, ele se referiu às "pressões" sobre o Parlamento Europeu para permitir o "'casamento' homossexual". No livro, citado pela Reuters, ele escreveu: "É legítimo e necessário perguntar-se se isso não é, talvez, parte de uma nova ideologia do mal, talvez mais insidiosa e oculta, que é contra os direitos humanos contra a família e contra o homem."[11]

Evolução

Em 22 de outubro de 1996, em um discurso para a seção plenária na Pontifícia Academia das Ciências, no Vaticano, o Papa João Paulo II disse da evolução que "esta teoria tem sido progressivamente aceita pelos pesquisadores, após uma série de descobertas em vários campos do conhecimento. A convergência, nem pensada, nem fabricada, dos resultados do trabalho que foi conduzido de forma independente é em si um argumento significativo em favor dessa teoria." O Papa classificou isto notando que, "ao invés da teoria da evolução, deveríamos falar de várias teorias da evolução." Algumas dessas teorias, ele observou, têm uma base puramente materialista filosófica que não é compatível com a fé católica: "Consequentemente, as teorias da evolução que, de acordo com as filosofias que as inspiram, consideram a mente como emergente das forças da matéria viva, ou como um mero epifenómeno desta matéria, são incompatíveis com a verdade sobre o homem.[180][181][182][183]

Embora geralmente aceitando a teoria da evolução, João Paulo II fez uma grande exceção – a alma humana. "Se o corpo humano tem sua origem na vida material que pré-existe, a alma espiritual é imediatamente criada por Deus".[180][182][183]

Guerra do Iraque

Em 2003, tornou-se um proeminente crítico da Invasão do Iraque em 2003 liderada pelos EUA.[11] Em seu discurso em 2003, o Papa declarou sua oposição à invasão ao afirmar, "Não à guerra! A guerra não é sempre inevitável. É sempre uma derrota para humanidade."[184] Ele mandou o ex-Pró-Núncio Apostólico para os Estados Unidos Cardeal Pío Laghi para conversar com o presidente americano George W. Bush para expressar a oposição à guerra. João Paulo II disse que cabe para as Nações Unidas resolver os conflitos internacionais por meio da diplomacia e que uma agressão unilateral é um crime contra a paz e uma violação do direito internacional.[108]

Tentativa de assassinato

Quando ele entrou na Praça de São Pedro para discurssar para uma audiência em 13 de maio de 1981, João Paulo II foi baleado e gravemente ferido por Mehmet Ali AÄŸca,[12][5][185] um perito atirador turco que era membro do grupo militante facista Lobos Cinzentos.[186] O assassino usou uma pistola semi-automática 9 mm Browning, [187] atingindo-o no abdômen e perfurando seu cólon e intestino delgado várias vezes.[4] João Paulo II foi levado às pressas para a Policlínica Gemelli. No caminho para o hospital, ele perdeu a conciência. Ele passou por cinco horas de cirurgia para tratar sua perda maciça de sangue e feridas abdominais.[188] Os cirurgiões realizaram uma colostomia, reencaminhando temporariamente a parte superior do intestino grosso para deixar a parte danificada inferior curar.[188] Quando ele ganhou rapidamente a consciência antes de ser operado, ele instruiu os médicos para não remover o seu Escapulário de Nossa Senhora do Carmo durante a operação.[189][190] O Papa afirmou que Nossa Senhora de Fátima ajudou a mantê-lo vivo durante todo o seu calvário.[5][185][191]

“ Eu poderia esquecer que o evento (Tentativa de assassinato de Ali Agca) na Praça de São Pedro teve lugar no dia e na hora em que a primeira aparição da Mãe de Cristo aos pastorinhos estava sendo lembrada por 60 anos em Fátima, Portugal? Mas em tudo o que aconteceu comigo naquele mesmo dia, senti que a proteção extraordinária maternal e cuidadosa, acabou por ser mais forte do que a bala mortal. ”

—Papa João Paulo II -Memória e Identidade, Weidenfeld & Nicolson, 2005, p.184

Em 2 de março de 2006, uma comissão parlamentar italiana, a Comissão Mitrokhin, criada por Silvio Berlusconi e dirigida pelo senador da Forza Italia, Paolo Guzzanti, concluiram que a União Soviética estava por trás do atentado contra a vida de João Paulo II,[186] em retaliação do apoio dado pelo Papa para a organização Solidariedade, o movimento católico de trabalhadores trabalhadores pró-democracia, uma teoria que já havia sido apoiada por Michael Ledeen e a Agência Central de Inteligência dos Estado Unidos.[186] O relatório italiano declarou que certamente os departamento de segurança da Bulgária Comunista foram utilizados para evitar que fosse descoberto o papel da União Soviética. O relatório afirmou que a Inteligência militar soviética (Glavnoje Razvedyvatel'noje Upravlenije)—e não a KGB—foi responsável. O porta-voz do Serviço de inteligência das Relações Exteriores da Rússia, Boris Labusov, chamou a acusação de ‘absurda’. Embora o Papa tivesse declarado, durante uma visita em maio de 2002, para a Bulgária, que não acreditava que aquele país estivesse envolvido com a tentativa de assassinato,[186] seu secretário, Cardeal Stanisław Dziwisz, alegou em seu livro A Life with Karol, que o Papa estava particularmente convencido que a ex-União Soviética estava por trás da tentativa de assassinato.[192] Bulgária e Rússia contestaram as conclusões da comissão italiana, apontando que o Papa negou a conexão búlgara.

Agca passou 19 anos em prisões italianas, sendo depois extraditado para a Turquia, onde foi condenado a prisão perpétua pelo assalto a um banco nos anos 1970 e pelo assassinato de um jornalista em 1979, pena depois comutada para dez anos de prisão.[193] Dois dias depois do Natal em 1983, João Paulo II visitou a prisão onde seu pretenso assassino estava sendo mantido. Os dois conversaram privadamente por 20 minutos.[5][185]

Internado de urgência na Policlínica Agostini Gemelli, o papa foi submetido a delicada cirugia de cinco horas e vinte minutos, com extirpação de 55 centímetros de intestino. A 20 de Junho, 17 dias depois de ter alta, é internado de novo na mesma clínica de Roma para ser tratado de uma infecção de cytomegalovirus, resultante da operação anterior.

Coincidentemente, os tiros disparados contra o Papa foram feitos no dia 13 de maio. Nesta data, em 1917, Nossa Senhora de Fátima teria feito a sua primeira aparição aos três pastorinhos. O Pontífice sempre afirmou que a Virgem Maria teria "desviado as balas" e salvo a sua vida nesse dia. Um ano depois, a 13 de Maio de 1982 e já recuperado, João Paulo II visita pela primeira vez o Santuário de Nossa Senhora de Fátima para agradecer à Virgem o ter salvo. O Santo Padre ofereceu uma das balas que o atingiu ao Santuário. Essa bala foi posteriormente colocada na coroa da Virgem, onde permanece até hoje.[194]

A segunda tentativa de assassinato ocorreu em 12 de maio de 1982, apenas um dia antes do aniversário da primeira tentativa contra sua vida, em Fátima, Portugal quando um homem tentou esfaquear João Paulo II com uma baioneta.[165][167][166] Ele foi parado por guardas de segurança, embora o Cardeal Stanisław Dziwisz mais tarde afirmou que João Paulo II tinha sido ferido durante a tentativa, mas conseguiu esconder uma ferida não-fatal.[165][167][166] A pessoa que atacou o Papa, o ex-padre tradicionalista espanhol chamado Juan María Fernández y Krohn,[165] foi ordenado padre pelo Arcebispo Marcel Lefebvre da Sociedade de São Pio X e se opôs às mudanças causadas pelo Concílio Vaticano II, chamando o Papa de agente comunista de Moscou e de marxista do Bloco do Leste.[195] Fernández y Krohn posteriormente deixou o sacerdócio Católico Romano e cumpriu três anos de uma pena de seis anos.[167][166][195] O 'ex-padre' teve tratamento de doente mental e, em seguida foi expulso de Portugal, depois disso trabalhou como advogado na Bélgica.[195] Ele foi preso novamente em julho de 2000 após escalar sobre a barricada de segurança no Palácio Real de Bruxelas, acusando o rei Juan Carlos de ter assassinado seu irmão mais velho, Alfonso, em 1956.[167][166][196]

O Papa João Paulo II foi um dos alvos da Al-Qaeda, que financiou a Operação Bojinka, durante uma visita as Filipinas em 1995. O primeiro plano era matar o Papa João Paulo II quando visitou as Filipinas, durante as celebrações do Dia Mundial da Juventude de 1995. Em 15 de janeiro de 1995, um homem-bomba iria vestir-se como um sacerdote, enquanto João Paulo II passaria na carreata em seu caminho para o Seminário San Carlo em Makati. O assassino planejava chegar perto do Papa, e detonar a bomba. O assassinato planejado do Papa tinha a intenção de desviar a atenção da próxima fase da operação. Entretanto, um incêndio acidental chamou a atenção da polícia, e eles foram presos quase uma semana antes da visita do Papa.[197]

Saúde

O Papa doente no papamóvel em 22 de setembro de 2004

Quando ele se tornou Papa em 1978, João Paulo II ainda era um ávido esportista. Aos 58 anos era extremamente saudável e ativo, fazia jogging nos Jardins do Vaticano, exercícios com pesos, natação, e caminhadas nas montanhas. Ele gostava de futebol. A mídia fazia comparações com a figura forte e saudável de João Paulo II com a saúde precária de João Paulo I e Paulo VI, a imponência de João XXIII e as reivindicações constante de doenças de Pio XII. O único Papa moderno que tinha uma boa aptidão física tinha sido o Papa Pio XI (1922–1939) que era um ávido alpinista.[198][199]

João Paulo II recuperou-se totalmente da primeira tentativa de assassinato, e ostentou uma ótima condição física ao longo da década de 1980. Em novembro de 1993, ele escorregou em um pedaço de carpete recém-instalado e caiu vários degraus, quebrando o ombro direito.[200] Quatro meses mais tarde, ele caiu em sua banheira, quebrando seu fêmur, resultando em uma visita a Policlínica Gemelli para uma substituição do quadril.[201] Ele raramente andou em público após isso, e começou a ter a fala arrastada e dificuldade em ouvir. Suspeitava-se que o pontífice estivesse com a doença de Parkinson, embora tenha sido revelado apenas em 2001 pelo cirurgião ortopédico italiano, Dr. Gianfranco Fineschi.[202][203] A administração do Vaticano finalmente confirmou a doença de Parkinson que em 2003, depois de mantê-la em segredo por 12 anos.[204]

Em fevereiro de 2005, o pontífice foi novamente levado para a Policlínica Gemelli com inflamação e espasmos da laringe, resultado da gripe.[205] Ele teve de voltar por causa da dificuldade em respirar. Foi realizada uma traqueostomia, que melhorou a respiração do Papa, mas limitou sua capacidade de falar, para sua frustração. O Vaticano confirmou que ele estava perto da morte em março 2005, poucos dias antes de morrer.[206]

Os últimos dias de João Paulo II, morte e funeral

Funeral de João Paulo II na Basílica de São Pedro.
Funeral de João Paulo II. Presidido pelo futuro Bento XVI, em Roma.
Túmulo que conteve os restos mortais de João Paulo II, até o dia 29 de abril de 2011.

Já com a doença de Parkinson muito avançada, no dia 30 de Março de 2005, surgiu à janela do seu escritório para tranquilizar os católicos, e já era muito evidente o seu estado extremamente debilitado. No último Domingo de Páscoa, o Papa ainda abençoou os fiéis, mas pela primeira vez no seu pontificado não conseguiu pronunciar a tradicional 'Urbi et Orbi'.[207]

Em 31 de março de 2005 após uma infecção do trato urinário,[208] o Papa João Paulo II entrou choque séptico, uma forma generalizada de infecção com febre muito alta e baixa pressão arterial, mas não foi levado para o hospital. Em vez disso, lhe foi oferecido um monitoramento medico por uma equipe de médicos na sua residência privada. Acreditou-se que isso era uma indicação para que as pessoas próximas do Papa acreditassem que ele estava se aproximando da morte; de acordo com seus desejos, queria morrer no Vaticano.[209] Mais tarde naquele dia, fontes do Vaticano anunciaram que João Paulo II havia recebido a Unção dos enfermos por seu amigo e secretário Stanisław Dziwisz. Durante os dias finais da vida do Papa, as luzes foram mantidas acessas durante a noite em que ele estava no apartamento Papal, no piso superior do Palácio Apostólico. Dezenas de milhares de pessoas reuniram-se e mantiveram-se em vigília na Praça de São Pedro e nas ruas vizinhas por dois dias. Ao saber disso, afirma-se que o Papa disse: "Tenho procurado por você, e agora você veio para mim, e te agradeço."[210]

No sábado, 2 de abril de 2005, em torno das 15h30min no CEST, João Paulo II falou suas palavras finais, "pozwólcie mi odejść do domu Ojca", ("Deixe-me partir para a casa do Pai"), para seus assessores, e entrou em coma, cerca de quatro horas depois.[210][211] A missa da vigília da Segundo Domingo da Páscoa comemorando a canonização de Sainta Maria Faustina em 30 de Abril de 2000.[212] Ele morreu em seu apartamento privado, às 21:37 CEST[211][213] (19:37 UTC) de um choque séptico e de um colapso cardiovascular circulatório irreversível, 46 dias antes de completar 85 anos. João Paulo não tinha família por perto na época que quando ele morreu, e seus sentimentos são refletidos como ele escreveu em 2000, no final de sua última vontade e testamento:[214][215]

“ Enquanto o fim de minha vida se aproxima, volto com minha memória ao começo, aos meus pais, ao meu irmão, à minha irmã (eu nunca a conheci porque ela morreu antes de meu nascimento), à paróquia de Wadowice, onde fui batizado, à cidade que amo, aos meus colegas, amigos da escola primária, escola secundária e da universidade, até a época da ocupação, quando era um operário, e então na paróquia de Niegowic, depois em São Floriano em Cracóvia, do ministério pastoral acadêmico, ao círculo de... a todos os círculos... de Cracóvia e a Roma... às pessoas que foram confiadas a mim de uma forma especial pelo Senhor.[214] ”

O Testamento do Papa João Paulo II publicado em 7 de abril[216] revelou que o pontífice ficaria contente de ser enterrado na Polônia, mas deixou a decisão final para o Colégio dos Cardeais, que preferiram enterrá-lo debaixo da Basílica de São Pedro, honrando o pedido do pontífice a ser colocado "em terra nua". Uma missa de réquiem em 8 de abril teve um número recorde de chefes de Estado presentes em um funeral.[217][218][219] Foi o maior encontro único de chefes de Estado na história, superando os funerais de Winston Churchill (1965) e Josip Broz Tito (1980). Quatro reis, cinco rainhas, pelo menos 70 presidentes e primeiros-ministros, e mais de 14 líderes de outras religiões participaram juntamente com os fiéis.[218] É provável que tenha sido a maior peregrinação do Cristianismo, com números estimados em mais de quatro milhões enlutados em Roma.[217][219][220] Entre 250 000 e 300 000 pessoas assistiram ao evento de dentro dos muros do Vaticano.[221]

Beatificação

Inspirado por chamadas de "Santo Subito!" ("Santo Imediatamente!") das multidões se reuniram durante o funeral,[18][217][222][223] Papa Bento XVI iniciou o processo de beatificação de seu antecessor, ignorando a restrição normal que cinco anos devem se passar após a morte de uma pessoa antes do processo de beatificação poder começar.[222][19][224][225]

Em uma audiência com o Papa Bento XVI, Camillo Ruini, Vigário Geral da Diocese de Roma e o responsável pela promoção da causa de canonização de qualquer pessoa que morre dentro daquela diocese, citou "circunstâncias excepcionais" e sugeriu que o período de espera poderia ser dispensado.[28][217][226][227] Esta decisão foi anunciada em 13 de Maio de 2005, a Festa de Nossa Senhora de Fátima e o 24 º aniversário do atentado a João Paulo II na Praça de São Pedro.[228]

Em 28 de maio de 2006, Bento XVI rezou uma missa para um público estimado em 900 000 pessoas na Polônia. Durante sua homilia, ele encorajou orações para a canonização precoce de João Paulo II e declarou que esperava que a canonização fosse acontecer "em um futuro próximo."[229][230] Em fevereiro de 2007, relíquias do Papa João Paulo II — pedaços da batina que ele costumava vestir — estavam sendo distribuído gratuitamente com cartões de oração para a causa da beatificação.[231]

O seu processo de beatificação foi aberto em 28 de Junho do mesmo ano. No dia 19 de dezembro de 2009 o Papa Bento XVI proclamou-o "Venerável", ao promulgar o decreto que reconhece as virtudes heróicas do Servo de Deus João Paulo II, um importante passo dentro do processo de beatificação que fica aguardando a existência de um milagre realizado pela intercessão do papa polaco.[232]

Foi relatado que a Irmã Marie-Simon-Pierre vivenciou uma "cura completa e duradoura depois que membros de sua comunidade rezaram pela intercessão do Papa João Paulo II".[233][234][235] Desde Maio de 2008, Irmã Marie-Simon-Pierre, então com 46 anos,[18][222] voltou a trabalhar novamente em um hospital maternidade que é regido pela ordem religiosa à qual ela pertence.[236][237]

"Eu estava doente e agora estou curada," ela disse ao reporter Gerry Shaw. "Estou curada, mas cabe à Igreja dizer se foi um milagre ou não."[229][236]

Em janeiro de 2007, Cardeal Stanisław Dziwisz de Kraków, seu ex-secretário, anunciou que a fase chave do processo de beatificação, na Itália e Polônia, estava em fase de conclusão.[229][238]

Em 8 de março de 2007, o Vicariato de Roma anunciou que a fase diocesana da causa de João Paulo II para a beatificação estava no fim. Após uma cerimônia em 2 de abril de 2007 – o segundo aniversário da morte do pontífice – a causa procedeu ao exame da comissão de leigos, membros do clero, e episcopal do Vaticano, da Congregação para as Causas dos Santos, que então iriá conduzir uma investigação própria.[19][229][238]

No quarto aniversário da morte do Papa João Paulo, 2 de abril de 2009, o Cardeal Dziwisz disse aos repórteres que um suposto milagre havia ocorrido recentemente no túmulo do antigo Papa na Basílica de São Pedro. Um garoto polonês de nove anos de idade de Gdańsk, que sofria de câncer de rim e era completamente incapaz de andar, tinha ido visitar o túmulo de seus pais. Ao sair da Basílica de São Pedro, o menino disse-lhes: "Eu quero andar", e começou a andar normalmente.[239][240][241][242][243]

Em 16 de novembro de 2009, um júri de revisores da Congregação para as Causas dos Santos votou em unanimidade que o Papa João Paulo II havia vivido uma vida de virtude.[244][245]

Em 19 de dezembro de 2009, Bento XVI assinou o primeiro de dois decretos necessários à beatificação e proclamou João Paulo II "Venerável", no reconhecimento de que viveu heroicamente uma vida virtuosa. A segunda votação e o segundo decreto assinado reconhece a autenticidade de seu primeiro milagre (o caso da Irmã Marie Simon-Pierre, a freira francesa que foi curada da doença de Parkinson). Uma vez que o segundo decreto é assinado, o positio (o relatório sobre a causa, com a documentação sobre sua vida e seus escritos e com informações sobre a causa) é considerado como sendo completo. Ele pode então ser beatificado.[244][245]

No dia 14 de Janeiro de 2011 o Papa Bento XVI aprovou o decreto sobre um milagre atribuído ao Papa Wojtyla, permitindo a sua beatificação[246][247] que aconteceu em Roma no dia 1 de maio de 2011,[248], o Domingo da Divina Misericórdia.[249] Desde de Junho de 2005 até Abril de 2007 foi realizado inquérito diocesano principal romano em diversas dioceses sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade e de milagres. Em vista da beatificação, a postulação da causa apresentou ao exame da Congregação para as Causas dos Santos a cura do Mal de Parkinson da Irmã Marie Simon Pierre Normand,[229] religiosa do Insitut des Petites Soers des Maternités Catholiques, foi relatado que ela vivenciou uma "cura completa e duradoura depois que membros de sua comunidade rezaram pela intercessão do Papa João Paulo II".[217][18][222][233][234][235]Os peritos se manifestaram a favor da inexplicabilidade científica da cura e a Congregação para as Causas dos Santos emitiu uma sentença considerando milagrosa a cura da religiosa francesa, a seguir à intercessão de João Paulo II. A beatificação de João Paulo II, presidida pelo seu sucessor, é um fato sem precedentes: nenhum papa elevou às honras dos altares o seu imediato predecessor.[250] 1 de maio é comemorado em ex-países comunistas, como a Polónia, e alguns países da Europa Ocidental países como o Dia de Maio, e o Papa João Paulo II é mais bem conhecido, entre muitas outras coisas, por suas contribuições cruciais para o desaparecimento relativamente pacífico do comunismo no Leste Europeu e na Europa Central, como atestado pelo ex-presidente soviético Gorbachev após a morte do pontífice.[4][2]

Em 29 de abril de 2011, o caixão do Papa João Paulo II foi exumado da gruta debaixo da Basílica de São Pedro com dezenas de milhares de pessoas que começaram a chegar em Roma para um dos maiores eventos desde seu funeral em 2005.[251]

No mesmo dia "Non abbiate paura" ("Não tenho medo"), a canção oficial dedicada a João Paulo II, com imagens originais e as palavras do Papa, foi lançada. A canção, de autoria de Giorgio Mantovan e Francesco Fiumanò, foi executada pelo cantor italiano Matteo Setti e é a única peça musical para a qual o Vaticano deu permissão de usar a voz de Karol Wojtyla.[252]

Seis anos após seu falecimento, no dia 1° de maio de 2011 às 10h37 (horário de Roma), sua beatificação foi proclamada pelo Papa Bento XVI. Ele, acolhendo o pedido do vigário de Roma, Agostino Vallini, leu a fórmula latina que incluiu o papa polaco entre os beatos. Seu processo de beatificação foi o mais rápido dos últimos 700 anos, sendo o processo de canonização mais rápido até hoje o de Santo Antonio de Lisboa que foi canonizado apenas 11 meses após sua morte. A celebração de seu dia foi o dia 22 de outubro, aniversário de sua eleição ao pontificado.[26]

A cerimónia foi acompanhada na Praça de São Pedro por mais de um milhão de pessoas, vindas de todos os continentes, com aplausos e cantos religiosos. Bento XVI celebrou a cerimónia - com paramentos que pertenceram a seu antecessor - acompanhado por cardeais presentes em Roma, como Stanisław Dziwisz e por Mieczysław Mokrzycki, ex-primeiro e segundo secretário particular de João Paulo II.[253]

Bento XVI recebeu uma relíquia contendo o sangue de João Paulo, que lhe foi entregue por Marie Simon Pierre Normand. O milagre com que foi tocada a religiosa foi um dos fatores decisivos para a beatificação de João Paulo II. Bento XVI também declarou que o processo de beatificação foi acelerado devido à grande veneração popular por Woijtila.[254]

A Casa da Moeda da Polônia emitiu moedas de ouro de 1000 zloty com a imagem do Papa para comemorar sua beatificação

 

Os escritos e discursos de João Paulo II são fonte de ensinamentos. Ele
tinha sempre uma palavra a ser dita sobre os mais variados temas
da atualidade. Eles edificaram e animavam. Você conhecia
o que aqui transcrevemos?

A Liberdade deve basear-se na verdade

1 - "O verdadeiro conhecimento e autêntica liberdade encontram-se em Jesus. Deixai que Jesus sempre faça parte de vossa fome de verdade e justiça, e de vosso compromisso pelo bem-estar de vossos semelhantes".

2 - "A Revelação ensina que não pertence ao homem o poder de decidir o bem e o mal, mas somente a Deus. O homem é certamente livre, uma vez que pode compreender e acolher os mandamentos de Deus. E goza de uma liberdade bastante Papa Joao Paulo II_1_.jpgampla, já que pode comer «de todas as árvores do jardim». Mas esta liberdade não é ilimitada: deve deter-se diante da «árvore da ciência do bem e do mal», chamada que é a aceitar a lei moral que Deus dá ao homem. Na verdade, a liberdade do homem encontra a sua verdadeira e plena realização, precisamente nesta aceitação. Deus, que «só é bom», conhece perfeitamente o que é bom para o homem, e, devido ao seu mesmo amor, propõe-lo nos mandamentos."

3 - "Portanto, a lei de Deus não diminui e muito menos elimina a liberdade do homem, pelo contrário, garante-a e promove-a. Bem distintas se apresentam, porém, algumas tendências culturais hodiernas, que estão na origem de muitas orientações éticas que colocam no centro do seu pensamento um suposto conflito entre a liberdade e a lei. Tais são as doutrinas que atribuem a simples indivíduos ou a grupos sociais a faculdade de decidir o bem e o mal: a liberdade humana poderia «criar os valores», e gozaria de uma primazia sobre a verdade, até ao ponto de a própria verdade ser considerada uma criação da liberdade. Esta, portanto, reivindicaria tal autonomia moral, que, praticamente, significaria a sua soberania absoluta."

4 - "A liberdade, em todos seus aspectos, deve se basear na verdade. Quero repetir aqui as palavras de Jesus: "E a verdade vos libertará" (Jo 8,32).

5 - "Só a liberdade que se submete à Verdade conduz a pessoa humana a seu verdadeiro bem. O bem da pessoa consiste em estar na Verdade e em realizar a Verdade".(Veritatis Splendor)

O respeito à vida como fundamento de direitos

1 - "O respeito à vida é fundamento de qualquer outro direito, inclusive o da liberdade."

2 - "A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta desde o momento da concepção. A partir do primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos seus direitos de pessoa, entre os quais está o direito inviolável de todo ser inocente à vida".

3 - Qualquer ameaça contra o homem, contra a família e a nação me atinge. Ameaças que têm sempre sua origem em nossa fraqueza humana, na forma superficial de considerar a vida."

4 - Todo ser humano, desde sua concepção, tem direito de nascer, quer dizer, a viver sua própria vida. Não só o bem-estar, mas também, de certo modo, a própria existência da sociedade, depende da salvaguarda deste direito primordial.

5 - Se a criança por nascer tem negado este direito (à vida), será cada vez mais difícil reconhecer sem discriminações o mesmo direito a todos os seres humanos.

A Família como Igreja domestica

1 - A família está chamada a ser templo, ou seja, casa de oração: uma oração simples, cheia de esforço e de ternura. Uma oração que se faz vida, para que toda a vida se transforme em oração.

2 - Em uma família que reza não faltará nunca a consciência da própria vocação fundamental: a de ser um grande caminho de comunhão.

3 - O homem é essencialmente um ser social; com maior razão, pode-se dizer que é um ser "familiar".

4 - "O matrimônio e a família cristã edificam a Igreja. Os filhos são frutos preciosos do matrimônio."

5 - A família é "base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem pela primeira vez os valores que os guiarão durante toda a vida".

6 - Que toda família do mundo possa repetir o que afirma o salmista: "Vede como é doce, como é agradável conviver os irmãos reunidos" (Sl 133, 1).

7 - Os pais têm direitos e responsabilidades específicas na educação e na formação de seus filhos nos valores morais, especialmente na difícil idade da adolescência. (Familiaris Consortio - Exortação Apostólica - 1981)

O homem e a necessidade de Deus

1.- "A pessoa humana tem uma necessidade que é ainda mais profunda, uma fome que é maior que aquela que o pão pode saciar -é a fome que possui o coração humano da imensidade de Deus".

2.- "A caridade procede de Deus, e tudo o que ele ama nasce de Deus e conhece a Deus... porque Deus é amor (1 Jo 4,7-9). Somente o que é construído sobre Deus, sobre o amor, é durável".

Uma só missão: anunciar Cristo, evangelizar

1 - "Como os Reis Magos, sede também vós peregrinos animados pelo desejo de encontrar o Messias e de adorá-lo! Papa Joao Paulo II_13_.jpgAnunciai com valentia que Cristo, morto e ressuscitado, é vencedor do mal e da morte!"

2 - "Se quiserdes ser eficazes pregadores da Palavra, deveis ser homens de fé profunda, e ao mesmo tempo ouvintes atuantes da Palavra".

3 - "A Palavra de Deus é digna de todos vossos esforços. Abraçá-la em toda sua pureza e integridade, e difundi-la com o exemplo e a pregação, é uma grande missão. Esta é vossa missão hoje, amanhã e pelo resto de vossas vidas".

A verdadeira fonte da paz

1 - "Homens e mulheres do terceiro milênio! Dexai-me repetir: abri o coração a Cristo crucificado e ressuscitado, que vos oferece a paz! Onde entra Cristo ressuscitado, com Ele entra a verdadeira paz"

2 - "Neste tempo ameaçado pela violência, pelo ódio e pela guerra, testemunhai que Ele (Jesus), e somente Ele, pode dar a verdadeira paz ao coração do homem, às famílias e aos povos da terra. Esforçai-vos em buscar e promover a paz, a justiça e a fraternidade. E não esqueçais da palavra do Evangelho: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz, porque eles serão chamados filhos de Deus» (Mt 5,9)."

3 - " A verdadeira reconciliação entre homens em conflito e em inimizade só é possível, se se deixam reconciliar ao mesmo tempo com Deus"

Sobre os jovens, para os jovens

1 - "A Igreja os vê com confiança e espera que sejam o povo das bem-aventuranças! "Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo" (Mt 5, 13-14).

2 - "Não temam responder generosamente ao chamado do Senhor. Deixem que sua fé brilhe no mundo, que suas ações mostrem seu compromisso com a mensagem salvadora do Evangelho!"

3 - Como os Reis Magos, sejam também peregrinos animados pelo desejo de encontrar ao Messias e de adorá-lo! Anunciai com coragem que Cristo, morto e ressuscitado, é vencedor do mal e da morte!"

4 - "Queridos jovens, já sabeis que o cristianismo não é uma opinião e não consiste em palavras vãs. O cristianismo é Cristo! É uma Pessoa, é o que Vive! Encontrar a Jesus, amá-lo e fazê-lo amar: eis aquí a vocação cristã."

5 - "Queridos jovens, só Jesus conhece vosso coração, vossos desejos mais profundos. Só Éle, quem os amou até a morte, (Jn 13,1), é capaz de saciar vossas aspirações. Suas palavras de vida eterna, palavras que dão sentido à vida. Ninguém fora de Cristo poderá dar-vos a verdadeira felicidade."

6 - "Agora mais que nunca é urgente que sejais os "sentinelas da manhã", os vigias que anunciam a luz da alvorada e a nova primavera do Evangelho, da que já são vistas os brotos. A humanidade necessita imperiosamente do testemunho de jovens livres e valentes, que se atrevam a caminhar contra a corrente e a proclamar com força e entusiasmo a própria Fé em Deus, Senhor e Salvador." (Das Mensagens para a XVII Jornada Mundial da Juventude - julho de 2002.)

A cruz não é escândalo, é esperança

1 - "O sofrimento humano alcançou seu ápice na paixão de Cristo."

2 - "Onde surge a Cruz, vê-se o sinal de que chegou a Boa Notícia da salvação do homem mediante o amor. Onde se ergue a cruz, está o sinal de que foi iniciada a evangelização. A cruz se transforma também em símbolo de esperança. De instrumento de castigo, passa a ser imagem de vida nova, de um mundo novo".

3 - "A cruz, na qual se morre para viver; para viver em Deus e com Deus, para viver na verdade, na liberdade e no amor, para viver eternamente".

4 - "Na cruz de Cristo não apenas se cumpriu a redenção mediante o sofrimento, como o próprio sofrimento humano foi redimido." "A cruz de Cristo tornou-se uma fonte da qual brotam rios de água viva."

 

Confiança, fragilidade e graça

1 - "Os verdadeiros discípulos de Cristo têm consciência de sua própria fragilidade. Por isto colocam toda sua confiança na graça de Deus que acolhem com coração indiviso, convencidos de que sem Ele não podem fazer nada (cfr Jo 15,5). O que os caracteriza e distingue do resto dos homens não são os talentos ou as disposições naturais. É sua firme determinação em caminhar sobre as pegadas de Jesus".

2 - "Sabei também vós, queridos amigos, que esta missão não é fácil. E que pode tornar-se até mesmo impossível, se contardes apenas com vós mesmos. Mas «o que é impossível para os homens, é possível para Deus» (Lc 18,27; 1,37)."

A Fé e a Razão

1.- "A fé e a razão (Fides et ratio) são como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade. Deus colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, definitivamente, de conhecê-lo para que, conhecendo-o e amando-o, possa alcançar também a plena verdade sobre si mesmo (cf. Ex 33, 18; Sl 27 [26], 8-9; 63 [62], 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2).

2 - O homem parece ter-se esquecido de que este é sempre chamado a voltar-se também para uma realidade que o transcende. Sem referência a esta, cada um fica ao sabor do livre arbítrio, e a sua condição de pessoa acaba por ser avaliada com critérios pragmáticos baseados essencialmente sobre o dado experimental, na errada convicção de que tudo deve ser dominado pela técnica. Foi assim que a razão, sob o peso de tanto saber, em vez de exprimir melhor a tensão para a verdade, curvou-se sobre si mesma, tornando-se incapaz, com o passar do tempo, de levantar o olhar para o alto e de ousar atingir a verdade do ser. A filosofia moderna, esquecendo-se de orientar a sua pesquisa para o ser, concentrou a própria investigação sobre o conhecimento humano. Em vez de se apoiar sobre a capacidade que o homem tem de conhecer a verdade, preferiu sublinhar as suas limitações e condicionalismos. (Fides et Ratio - setembro de 1998)

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Jo%C3%A3o_Paulo_II

http://www.arautos.org/artigo/25901/Frases-de-Joao-Paulo-II.html





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